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Índia cria estrada vermelha na NH-45 para proteger a fauna

Carro parado numa estrada vermelha enquanto animais selvagens atravessam rodeados de vegetação densa.
Neste artigo
  1. Em que local foi instalada a estrada vermelha?
  2. De que forma a cor vermelha afecta o comportamento dos condutores?
  3. Que animais podem beneficiar da iniciativa?
  4. Porque é que a pintura precisa de passagens para animais?
  5. A estrada vermelha já diminuiu os atropelamentos?

A Índia passou a utilizar uma faixa de pavimento vermelho num segmento sensível da estrada NH-45, no estado de Madhya Pradesh, para alertar os condutores e levá-los a abrandar. Implementada na Reserva de Tigres Veerangana Durgavati, esta intervenção reúne contraste visual, alteração de textura e infraestruturas de atravessamento com o objectivo de proteger pessoas e fauna selvagem.

Em que local foi instalada a estrada vermelha?

A iniciativa abrange dois quilómetros da estrada Bhopal–Jabalpur, numa zona montanhosa e florestal situada dentro da reserva. Este segmento faz parte de uma empreitada mais ampla, com cerca de 11,96 quilómetros, desenvolvida pela Autoridade Nacional de Estradas da Índia.

A estrada vermelha destinada à protecção da fauna vai além de uma simples pintura ornamental. Sobre o pavimento foi colocada uma camada termoplástica com aproximadamente cinco milímetros, que cria uma zona visualmente distinta e ligeiramente elevada.

  • A sinalização vermelha delimita uma área identificada como ponto de atenção;
  • A cor intensa sobressai face ao asfalto habitual;
  • O relevo da superfície provoca uma alteração perceptível durante a condução;
  • As linhas brancas nas laterais contribuem para manter os veículos dentro da faixa de rodagem;
  • O segmento avisa da entrada numa zona ambientalmente sensível.

De que forma a cor vermelha afecta o comportamento dos condutores?

No contexto rodoviário, o vermelho é geralmente relacionado com alerta, limitação e necessidade de redobrar a atenção. Perante uma alteração súbita na cor do piso, o condutor reconhece que entrou numa secção diferente e tende a confirmar a sinalização, a velocidade e as condições da estrada.

O resultado não assenta apenas na denominada psicologia das cores. A textura ligeiramente elevada produz uma sensação tátil nos pneus e um som discreto no interior do veículo. Ao conjugar estímulos visuais, sonoros e vibratórios, a solução pretende induzir uma redução progressiva da velocidade, sem recorrer a travagens abruptas nem a obstáculos agressivos.

Que animais podem beneficiar da iniciativa?

A Reserva de Tigres Veerangana Durgavati acolhe várias espécies que necessitam de circular entre zonas de alimentação, água e abrigo. Nas estradas junto de habitats naturais, os animais podem surgir inesperadamente na faixa de rodagem, sobretudo durante a noite ou em períodos de maior deslocação.

Ao diminuir a velocidade, os condutores dispõem de mais tempo para detectar uma situação perigosa. Entre os animais presentes em paisagens desta natureza encontram-se:

  • Tigres e outros grandes predadores;
  • Veados e cervos de várias espécies;
  • Chacais e pequenos mamíferos;
  • Répteis que atravessam o pavimento;
  • Animais que recorrem a corredores entre zonas florestais.

Ainda assim, a marcação vermelha não deve ser vista como uma barreira física que, por si só, impeça os animais de entrar na estrada. O seu papel essencial é alertar quem conduz e reforçar o controlo da velocidade numa área considerada sensível.

Porque é que a pintura precisa de passagens para animais?

A protecção da fauna requer medidas que afastem os animais da faixa de rodagem e lhes disponibilizem percursos alternativos. Por essa razão, o projecto incluiu igualmente 25 passagens inferiores ao longo dos 11,96 quilómetros, colocadas em locais identificados como pontos de circulação de animais.

A intervenção é complementada por outras estruturas:

  • Vedações laterais que encaminham os animais para as passagens;
  • Travessias integradas com o nível natural do terreno e com a drenagem;
  • Câmaras para monitorizar os movimentos da fauna;
  • Iluminação solar em pontes e cruzamentos;
  • Equipamentos de fiscalização e de alerta de velocidade;
  • Bermas demarcadas para orientar os condutores.

De acordo com o governo indiano, o sistema de vedações e passagens foi concebido para que os animais não tenham de atravessar directamente a faixa de rodagem naquele segmento. Assim, a camada vermelha integra uma estratégia mais abrangente, em vez de constituir uma medida isolada.

A estrada vermelha já diminuiu os atropelamentos?

O projecto foi oficialmente apresentado em dezembro de 2025 como uma medida para reforçar a segurança, mas continuam a ser necessários dados de acompanhamento que comprovem em que medida os atropelamentos e os acidentes diminuíram efectivamente. A experiência poderá ser analisada através da velocidade média dos veículos, dos registos das câmaras e da utilização das passagens inferiores pelos animais.

A iniciativa ilustra a forma como a engenharia rodoviária orientada para a fauna pode articular sinalização, alteração do pavimento, vedações e corredores seguros. Se a monitorização confirmar resultados favoráveis, soluções deste tipo poderão ser adaptadas a outras estradas que atravessem reservas naturais e áreas com intensa circulação de animais.

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Inês Margarida Carvalho

Inês Margarida Carvalho é especialista em mobilidade e planeamento de percursos, dedicada à análise e otimização de itinerários no contexto da rota x. Investiga dados de tráfego, segurança e acessibilidade para criar recomendações práticas, com interesse particular em sustentabilidade, experiência do utilizador e integração com soluções digitais de navegação.

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