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Alfa Romeo: a plataforma Giorgio evolui para STLA Large

Carro desportivo Alfa Romeo Giulia vermelho em exposição numa sala moderna e iluminada.
Neste artigo
  1. Giorgio transforma-se na STLA Large
  2. Giorgio vai continuar a “viver” em mais modelos
  3. Alfa Romeo mantém a Giorgio, mas não em toda a gama
  4. O que virá a seguir?

Depois de, na semana passada, ter surgido a notícia de que a Alfa Romeo iria abandonar a sua elogiada plataforma de tração traseira Giorgio, é tempo de acalmar os ânimos: a Giorgio não desaparecerá, vai apenas… evoluir.

Na semana passada apresentámos os planos de eletrificação da Stellantis, o grupo automóvel ao qual pertence a Alfa Romeo. Ficou então claro que o futuro elétrico do conglomerado será suportado por quatro plataformas: STLA Small, STLA Medium, STLA Large e STLA Frame.

Giorgio transforma-se na STLA Large

Como se percebe, a Giorgio não surge nesse plano. Em contrapartida, haverá uma nova plataforma STLA Large, prevista para 2023. Na prática, porém, trata-se de uma designação diferente para uma base que será, em grande medida, a mesma.

Esta evolução enquadra-se na esperada uniformização gradual das plataformas e mecânicas no novo grupo, nascido da fusão entre o Groupe PSA e a FCA. A situação da Giorgio não é, de resto, isolada: a plataforma que substituirá a EMP - utilizada, por exemplo, pelo Peugeot 308 e pelo DS 4 - tinha sido denominada eVMP pelo Groupe PSA e estrear-se-ia no sucessor do Peugeot 3008. Passará agora a ser conhecida como STLA Medium.

Assim, a Giorgio adotará o nome STLA Large e ganhará capacidade para acolher motorizações híbridas e elétricas.

Giorgio vai continuar a “viver” em mais modelos

O desenvolvimento da Giorgio implicou um investimento muito elevado para a Alfa Romeo, bem superior a 800 milhões de euros. Os planos oficiais iniciais previam uma aplicação bem mais abrangente do que a atual, uma vez que só o Giulia e o Stelvio recorrem a esta arquitetura.

Segundo essas previsões, nesta fase deveriam já existir oito modelos Alfa Romeo assentes na Giorgio, a par de outros automóveis da FCA. Entre eles estariam os sucessores dos Dodge Challenger e Charger, bem como mais alguns Maserati. Nada disso se concretizou, comprometendo o retorno do investimento, já que os volumes de produção do Giulia e do Stelvio têm sido reduzidos.

Ainda assim, foram recentemente revelados vários modelos que utilizam, ou irão utilizar, a Giorgio já alterada e evoluída para ser compatível com a eletrificação, antes mesmo de passar a chamar-se STLA Large. O novo Jeep Grand Cherokee usa uma versão modificada da Giorgio, tal como o Maserati Grecale, o novo SUV da marca italiana que será apresentado no final do ano.

Também os sucessores do Maserati GranTurismo e do GranCabrio, que conheceremos em 2022, assentarão numa evolução da Giorgio e contarão com versões 100% elétricas. Todos os futuros Maserati, incluindo os sucessores do Levante e do Quattroporte, deverão recorrer a esta Giorgio modificada e evoluída - ou, a partir de 2023, à STLA Large.

Alfa Romeo mantém a Giorgio, mas não em toda a gama

Na Alfa Romeo, a Giorgio continuará a integrar a oferta, ainda que sob a designação STLA Large, mas não estará presente em todos os modelos como inicialmente se previa. Recentemente noticiámos o adiamento do lançamento do Tonale, que chegará em junho de 2022. Este SUV médio, chamado a substituir indiretamente o Giulietta, apostará fortemente nas motorizações híbridas plug-in e utilizará a mesma plataforma Small Wide 4×4 LWB do Jeep Compass.

Em 2023 será lançado outro crossover/SUV, menor do que o Tonale, que poderá receber o nome Brennero. Inserido no segmento B, assentará na CMP, a plataforma multienergias oriunda do Groupe PSA, usada no Opel Mokka e no Peugeot 2008. A produção decorrerá em Tychy, na Polónia, fábrica onde são atualmente construídos o Fiat 500 e o Lancia Y e onde também serão produzidos dois outros crossovers/SUV para a Jeep e a Fiat, “irmãos” do modelo da Alfa Romeo.

O que virá a seguir?

Ainda não há certezas, pois a questão continua em discussão. Jean-Philippe Imparato, recentemente indicado como novo responsável pela Alfa Romeo e que liderava a Peugeot até ao ano passado, declarou publicamente que está a ser preparado um plano para os próximos cinco anos, bem como outro para 10 anos. Ambos terão ainda de receber a aprovação da administração da Stellantis.

Ao contrário do que acontecia na era de Sergio Marchionne, o falecido e pragmático antigo diretor executivo da FCA, Imparato não revelará todas as novidades previstas para os próximos cinco anos nem anunciará metas comerciais de longo prazo. No tempo de Marchionne eram frequentes as projeções a 4-5 anos, tanto para novos modelos como para objetivos de vendas, mas essas previsões nunca se concretizavam - bem pelo contrário…

Se os planos de Marchionne para a Alfa Romeo, e para a Giorgio, tivessem sido cumpridos à risca, a marca teria atualmente um portefólio de oito modelos e vendas anuais de, pelo menos, 400 mil unidades. Hoje, a gama limita-se ao Giulia e ao Stelvio, enquanto as vendas globais rondaram as 80 mil unidades em 2019 - e, em 2020, a pandemia não permitiu uma melhoria…

Fonte: Automotive News.

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Inês Margarida Carvalho

Inês Margarida Carvalho é especialista em mobilidade e planeamento de percursos, dedicada à análise e otimização de itinerários no contexto da rota x. Investiga dados de tráfego, segurança e acessibilidade para criar recomendações práticas, com interesse particular em sustentabilidade, experiência do utilizador e integração com soluções digitais de navegação.

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