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Mercedes-Benz EQS: o novo porta-estandarte elétrico da marca alemã

Carro elétrico Mercedes-Benz EQS 523CV cinza escuro estacionado em ambiente interno moderno e iluminado.
Neste artigo
  1. O Mercedes mais aerodinâmico de sempre
  2. Interior de luxo
  3. 141 cm de ecrã. Que abuso!
  4. Portas automáticas
  5. Uma cápsula à prova de tudo
  6. Modo autónomo até aos 60 km/h
  7. E a autonomia?
  8. Versão mais potente tem 523 cv
  9. Quando chega?

O Mercedes-Benz EQS, novo porta-estandarte elétrico da marca alemã, foi finalmente revelado ao mundo depois de várias semanas de antecipação. Ao longo desse período, a fabricante de Estugarda foi divulgando informação que permitiu conhecer gradualmente este modelo inédito.

A Mercedes-Benz apresenta-o como o primeiro automóvel elétrico de luxo. Basta olhar para o conjunto de argumentos preparado pela marca alemã para perceber a razão de uma afirmação tão enfática.

A silhueta, mostrada pela primeira vez no Salão de Frankfurt de 2019 através do protótipo Vision EQS, segue duas filosofias de design: Sensual Purity e Progressive Luxury. Estas traduzem-se em linhas fluidas, superfícies trabalhadas, transições suaves e reduzidas folgas entre painéis.

Na frente, destaca-se o painel que substitui a grelha e une os faróis, que também são ligados por uma fina faixa luminosa. O seu padrão inspira-se na icónica estrela da marca de Estugarda, registada como marca comercial em 1911.

Em opção, este painel preto pode receber um motivo de estrelas tridimensionais, reforçando a assinatura visual.

O Mercedes mais aerodinâmico de sempre

O perfil do Mercedes-Benz EQS segue a configuração “cab-forward” - com o habitáculo avançado -, em que o volume do habitáculo é desenhado por uma linha em arco. Os designers da marca chamam-lhe “one-bow”, ou “um arco”, e esta prolonga os pilares das extremidades, “A” e “D”, até aos e sobre os eixos dianteiro e traseiro.

Este desenho confere ao EQS uma presença muito própria, livre de vincos e, sobretudo, aerodinamicamente eficiente. Com um Cx de apenas 0,20 - valor obtido com jantes AMG de 19″ e no modo de condução Sport -, é o modelo de produção mais aerodinâmico da atualidade. Para referência, o renovado Tesla Model S regista 0,208.

A plataforma específica para veículos elétricos EVA, sobre a qual o EQS é construído, foi determinante para tornar possível este design.

Interior de luxo

Sem um motor de combustão na dianteira e com a bateria instalada na generosa distância entre eixos, foi possível aproximar as rodas dos cantos da carroçaria. O resultado são secções dianteira e traseira mais curtas.

Além de beneficiar as proporções gerais do automóvel, esta solução permite aproveitar ao máximo o espaço para os cinco ocupantes e para a carga. A bagageira disponibiliza 610 litros, capacidade que sobe para 1770 litros quando os bancos traseiros são rebatidos.

Na traseira, a plataforma dedicada a elétricos elimina o túnel de transmissão, algo particularmente vantajoso para o passageiro sentado no lugar central. À frente, os dois lugares são separados por uma consola central elevada.

No total, o EQS oferece mais espaço do que o seu equivalente com motor de combustão, o novo Classe S (W223), embora seja ligeiramente mais curto.

Contudo, para alcançar o topo da gama elétrica da Mercedes-Benz não basta ser espaçoso. Quando chega o momento de revelar os seus trunfos, este EQS deixa para trás qualquer um dos modelos com assinatura EQ.

141 cm de ecrã. Que abuso!

O EQS assinala a estreia do MBUX Hyperscreen, uma solução composta por três ecrãs OLED que criam uma superfície contínua com 141 cm de largura. Nunca se tinha visto algo semelhante.

Equipado com um processador de oito núcleos e 24 GB de RAM, o MBUX Hyperscreen promete uma capacidade de processamento sem precedentes e apresenta-se como o ecrã mais inteligente alguma vez instalado num automóvel.

Conhece todos os segredos do Hyperscreen na entrevista que realizámos com Sajjad Khan, diretor técnico (CTO ou Chief Technology Officer) da Daimler:

O MBUX Hyperscreen será disponibilizado apenas como opcional. De série, o EQS recebe um tabliê mais discreto, muito semelhante ao utilizado no novo Mercedes-Benz Classe S.

Portas automáticas

Também opcionais, e igualmente impressionantes, são as portas de abertura automática dianteiras e traseiras, concebidas para elevar ainda mais o conforto do condutor e dos passageiros.

Assim que o condutor se aproxima do automóvel, os manípulos das portas surgem; ao aproximar-se mais, a porta do seu lado abre-se automaticamente. A partir do habitáculo, o condutor pode ainda utilizar o sistema MBUX para abrir automaticamente as portas traseiras.

Uma cápsula à prova de tudo

O Mercedes-Benz EQS promete níveis muito elevados de conforto de rolamento e isolamento acústico, procurando assegurar o bem-estar de todos os ocupantes.

Para esse efeito, até a qualidade do ar no interior é monitorizada. O EQS pode receber, em opção, um filtro HEPA (High Efficiency Particulate Air), capaz de impedir a entrada no habitáculo de 99,65% das micropartículas, poeiras finas e pólenes.

A Mercedes garante ainda que este EQS proporcionará uma “experiência acústica” diferenciada, capaz de produzir vários sons conforme o estilo de condução - um tema que já tínhamos abordado:

Modo autónomo até aos 60 km/h

Com o sistema Drive Pilot, opcional, o EQS consegue circular em modo autónomo até 60 km/h em filas de trânsito intenso ou congestionamentos, desde que em troços de autoestrada adequados. Esta última possibilidade estará inicialmente disponível apenas na Alemanha.

A isto juntam-se os mais recentes sistemas de assistência à condução da marca germânica. Uma das grandes novidades é o Attention Assist, que analisa os movimentos dos olhos do condutor para identificar sinais de fadiga que indiquem que este poderá estar prestes a adormecer.

E a autonomia?

Não faltam argumentos para justificar a classificação da Mercedes como o primeiro automóvel elétrico de luxo do mundo. Mas, tratando-se de um elétrico, a autonomia também tem de corresponder. E corresponde… muito bem!

A energia é assegurada por duas baterias de 400 V, com 90 kWh ou 107,8 kWh, permitindo atingir uma autonomia máxima de até 770 km (WLTP). A bateria dispõe de garantia de 10 anos ou 250 000 km.

Com refrigeração líquida, as baterias podem ser pré-aquecidas ou arrefecidas antes e durante a viagem, garantindo que chegam a um posto de carregamento rápido à temperatura ideal de funcionamento.

Há também um sistema de regeneração de energia com vários modos, cuja intensidade é regulável através de duas patilhas instaladas atrás do volante. Conhece o carregamento do EQS com maior detalhe:

Versão mais potente tem 523 cv

Tal como a Mercedes-Benz já tinha revelado, o EQS será proposto em duas versões: uma de tração traseira, com apenas um motor, denominada EQS 450+, e outra de tração integral, com dois motores, a EQS 580 4MATIC. Para mais tarde está prevista uma variante desportiva ainda mais potente, assinada pela AMG.

O EQS 450+ disponibiliza 333 cv (245 kW) e 568 Nm, com consumos compreendidos entre os 16 kWh/100 km e os 19,1 kWh/100 km.

Já o EQS 580 4MATIC, mais potente, produz 523 cv (385 kW), graças a um motor traseiro de 255 kW (347 cv) e a outro dianteiro de 135 kW (184 cv). Os consumos situam-se entre os 15,7 kWh/100 km e os 20,4 kWh/100 km.

Nas duas versões, a velocidade máxima está limitada a 210 km/h. Na aceleração dos 0 aos 100 km/h, o EQS 450+ cumpre o exercício em 6,2s, enquanto o EQS 580 4MATIC precisa de apenas 4,3s.

Quando chega?

O EQS será fabricado na “Fábrica 56” da Mercedes-Benz, em Sindelfingen, na Alemanha, onde também é produzido o Classe S. A marca de Estugarda ainda não revelou a data de início da comercialização nem o preço deste elétrico.

Sabe-se somente que o lançamento comercial será assinalado por uma edição especial, chamada Edition One. Terá uma pintura exclusiva de duas cores, ficará limitada a apenas 50 exemplares e é precisamente a versão mostrada nas imagens.

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Inês Margarida Carvalho

Inês Margarida Carvalho é especialista em mobilidade e planeamento de percursos, dedicada à análise e otimização de itinerários no contexto da rota x. Investiga dados de tráfego, segurança e acessibilidade para criar recomendações práticas, com interesse particular em sustentabilidade, experiência do utilizador e integração com soluções digitais de navegação.

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