Saltar para o conteúdo
Notícias

Mercedes-Benz EQA: será a escolha certa face ao GLA?

Carro elétrico Mercedes-Benz EQA branco em exposição numa sala com chão em mármore e grandes janelas.
Neste artigo
  1. Corte e costura
  2. O “som” do silêncio
  3. É o carro certo para si?

O novo Mercedes-Benz EQA assume-se como um dos modelos mais relevantes na ofensiva elétrica da marca da estrela, sendo impossível ignorar a proximidade com o GLA, modelo que lhe serve de base.

Embora apresente uma identidade visual própria - pelo menos no exterior -, utiliza precisamente a mesma plataforma MFA-II da versão com motor de combustão. Além disso, as dimensões são praticamente iguais às do SUV mais pequeno da marca alemã.

Perante isto, será o novo EQA uma alternativa credível ao GLA? Afinal, os preços pedidos pelo GLA híbrido recarregável e pela versão Diesel mais potente não ficam muito distantes do valor deste EQA.

Corte e costura

Como já referi, o exterior do Mercedes-Benz EQA revela uma personalidade distinta, ainda que a minha apreciação das suas linhas se divida precisamente a meio do automóvel.

Se, por um lado, gosto da aplicação da habitual grelha dos Mercedes-EQ - até mais do que da solução usada no GLA -, por outro, não me convence tanto a traseira. Aí, sobressai a faixa luminosa transversal, também presente noutros Mercedes-Benz totalmente elétricos.

No habitáculo, porém, as diferenças face ao GLA, ao GLB ou mesmo ao Classe A são difíceis de encontrar. Com uma solidez digna de registo e materiais agradáveis tanto à vista como ao toque, distingue-se pela introdução do painel retroiluminado, até agora inédito, colocado diante do passageiro.

Perante estas semelhanças, o sistema de infoentretenimento mantém-se muito completo. A ergonomia beneficia das várias formas disponíveis para o controlar: há comandos no volante, uma espécie de painel tátil, o ecrã sensível ao toque, teclas de atalho e até a possibilidade de interagir por voz através do “Hey, Mercedes”.

No que toca à habitabilidade, a instalação da bateria de 66,5 kWh sob o piso elevou ligeiramente a segunda fila de bancos face ao GLA. Ainda assim, os passageiros traseiros viajam confortavelmente, apesar de ser inevitável uma posição mais elevada para as pernas e os pés.

A bagageira perde 95 litros em comparação com a do GLA 220 d e 45 litros relativamente à do GLA 250 e. Mesmo assim, os 340 litros disponíveis continuam a ser mais do que adequados para uma viagem em família.

O “som” do silêncio

Ao sentarmo-nos ao volante do Mercedes-Benz EQA, encontramos uma posição de condução idêntica à do GLA. As distinções surgem apenas ao ligar o motor, momento em que, como seria expectável, não se ouve qualquer ruído.

Em vez disso, somos recebidos por um silêncio agradável, que confirma o cuidado da Mercedes-Benz com o isolamento acústico e a qualidade de montagem do habitáculo do seu elétrico.

Tal como seria de prever, os 190 cv e, sobretudo, os 375 Nm de binário instantâneo asseguram prestações plenamente satisfatórias para uma proposta deste segmento. Nos primeiros metros, em particular, os arranques são capazes de deixar embaraçados os GLA com motor de combustão e as variantes híbridas.

Já em andamento mais dinâmico, o EQA não consegue ocultar o aumento considerável de massa provocado pelas baterias: são mais 370 kg do que num GLA 220 d 4MATIC de potência idêntica.

Ainda assim, a direção mostra-se direta e rigorosa, enquanto o comportamento permanece sempre seguro e estável. Contudo, o EQA fica longe da agilidade e do controlo dos movimentos da carroçaria que o GLA consegue oferecer, privilegiando uma condução mais suave em detrimento de ritmos mais exigentes.

Por isso, o melhor é aproveitar o conforto proporcionado pelo SUV da Mercedes-Benz e, acima de tudo, a eficiência do seu sistema de propulsão elétrico. Ajudado por quatro modos de regeneração de energia, selecionáveis pelas patilhas atrás do volante, o EQA parece multiplicar a autonomia de 424 km segundo o ciclo WLTP, permitindo percorrer longas distâncias em autoestrada sem receios.

De facto, a gestão da bateria é tão eficiente que acabei por conduzir o EQA sem qualquer “ansiedade de autonomia”, enfrentando uma viagem mais longa com a mesma tranquilidade que teria ao volante do GLA. Registei consumos que, na sua maioria, ficaram entre os 15,6 kWh e os 16,5 kWh por cada 100 km, abaixo dos 17,9 kWh oficiais do ciclo combinado WLTP.

Por fim, para se adaptar aos vários perfis de condutor, o EQA disponibiliza quatro modos de condução - Eco, Sport, Comfort e Individual. Este último permite-nos configurar o nosso próprio modo de condução.

É o carro certo para si?

Com preços a partir de 53 750 euros, o novo Mercedes-Benz EQA não é propriamente acessível. No entanto, considerando a poupança que permite alcançar e a elegibilidade para os incentivos à compra de automóveis elétricos, o valor torna-se um pouco mais atraente.

Além disso, o GLA 220 d, com potência semelhante, começa nos 55 399 euros, enquanto o GLA 250 e híbrido recarregável arranca nos 51 699 euros. Nenhum dos dois, contudo, permite as mesmas poupanças do EQA nem beneficia das mesmas isenções fiscais.

Assim, apesar de não assentar numa plataforma dedicada - e das consequentes limitações de espaço -, o Mercedes-Benz EQA revela-se uma proposta elétrica convincente. Na verdade, após alguns dias ao seu volante, tenho de admitir que é também uma boa opção para quem procura um SUV deste segmento, independentemente da motorização.

Últimos artigos

Inês Margarida Carvalho

Inês Margarida Carvalho é especialista em mobilidade e planeamento de percursos, dedicada à análise e otimização de itinerários no contexto da rota x. Investiga dados de tráfego, segurança e acessibilidade para criar recomendações práticas, com interesse particular em sustentabilidade, experiência do utilizador e integração com soluções digitais de navegação.

Comentários

Ainda não há comentários. Seja o primeiro!

Deixar um comentário