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Tesla: receitas e entregas recorde, mas lucros caem no segundo trimestre de 2026

Carro elétrico desportivo Tesla vermelho modelo 2026 exposto em salão moderno e luminoso.

Os resultados financeiros da Tesla relativos ao segundo trimestre de 2026 já são conhecidos e expõem um paradoxo: a construtora norte-americana alcançou receitas recorde e o maior volume de entregas de sempre, mas a rentabilidade da atividade piorou.

A margem operacional desceu para apenas 1,4% - o nível mais baixo dos últimos 12 meses -, enquanto os lucros diminuíram, apesar do crescimento expressivo das vendas.

Entre abril e junho, a Tesla gerou 28,2 mil milhões de dólares em receitas, mais 26% do que no período homólogo de 2025. As entregas também atingiram um recorde histórico, totalizando 480 126 automóveis vendidos (+25%).

Ainda assim, o lucro líquido ajustado (non-GAAP) recuou 17%, para 1,153 mil milhões de dólares. Já o lucro operacional caiu 57%, ficando-se pelos 398 milhões de dólares. Como pode uma empresa vender e faturar mais, mas obter menos lucro?

Porque caíram os lucros?

Esta contradição resulta essencialmente de três razões: margens mais reduzidas na área automóvel, um aumento acentuado do investimento em investigação e desenvolvimento (I&D) e a descida das receitas obtidas com a venda de créditos de emissões.

Margens automóveis sob pressão na Tesla

Para manter o ritmo de crescimento das entregas num mercado de veículos elétricos cada vez mais disputado, a Tesla apostou em promoções, descontos e condições de financiamento mais apelativas. Embora esta abordagem tenha impulsionado as vendas e as receitas, reduziu a margem gerada por cada automóvel comercializado, penalizando a rentabilidade do negócio.

Em simultâneo, os custos operacionais subiram 47%, para 4,35 mil milhões de dólares. Uma parcela significativa deste aumento está associada a investimentos em áreas estratégicas, entre as quais o robô humanoide Optimus, a rede de Robotaxis e a TeraFab, iniciativa com a qual a Tesla quer conceber e produzir os seus próprios semicondutores para inteligência artificial.

Os resultados foram também pressionados pela queda acentuada das receitas da venda de créditos de emissões, uma atividade que, historicamente, figura entre as mais rentáveis da Tesla. De abril a junho, estas receitas passaram de 439 para 146 milhões de dólares, uma redução de 67% com impacto direto na margem operacional.

O que esperar?

A Tesla prevê uma transformação progressiva do centro de gravidade do seu negócio. Apesar de continuar concentrada no aumento da produção e das vendas de automóveis, a empresa considera que, a médio prazo, uma parcela cada vez maior da rentabilidade poderá resultar do software, da inteligência artificial e dos serviços associados aos seus veículos.

Investimento em produção, IA e novos modelos

Com esse objetivo, a empresa manterá o investimento na ampliação da capacidade industrial já instalada, na criação de novos modelos e na integração vertical da produção, abrangendo baterias, semicondutores e infraestruturas de IA.

A Tesla continua igualmente a apontar para o início, ainda este ano, da produção do camião Semi, da nova geração dos sistemas Megapack 3 e das primeiras linhas de produção do robô humanoide Optimus.

Mesmo perante a pressão sobre os lucros, a Tesla sublinha que pretende manter a prioridade no investimento em tecnologias que considera determinantes para a próxima etapa do seu crescimento.

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Inês Margarida Carvalho

Inês Margarida Carvalho é especialista em mobilidade e planeamento de percursos, dedicada à análise e otimização de itinerários no contexto da rota x. Investiga dados de tráfego, segurança e acessibilidade para criar recomendações práticas, com interesse particular em sustentabilidade, experiência do utilizador e integração com soluções digitais de navegação.

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