Recém-distinguido com o prémio Carro do Ano 2021 em Portugal, o SEAT Leon reúne vários atributos que justificam este reconhecimento. Entre os mais relevantes está, provavelmente, a ampla oferta de motorizações. Há alternativas a gasolina, GNC, híbridas plug-in e mild-hybrid (MHEV), assegurando propostas para diferentes necessidades.
A versão em análise é a 1.5 TSI de 130 cv, uma configuração que promete, pelo menos no papel, posicionar-se entre as opções mais equilibradas do compacto espanhol. Resta saber se confirma essas credenciais em estrada. É isso que vamos descobrir nas linhas seguintes…
Durante quatro dias, conduzimos um Leon 1.5 TSI de 130 cv no nível de equipamento Xcellence, colocando-o à prova em cenários variados: dos trajectos urbanos habituais às exigências da autoestrada e das vias rápidas. Tempo suficiente para conhecer bem as suas capacidades. E, sem antecipar demasiado as conclusões, este Leon conseguiu surpreender-nos.
O Xcellence está ao nível do mais desportivo FR em matéria de equipamento, mas assume-se como a vertente mais refinada da gama. Traz materiais de toque mais suave e elegante, além de bancos mais confortáveis - embora sem regulação eléctrica de série. Por não incluir a suspensão específica, e mais firme, do FR, seria natural esperar uma condução menos dinâmica.
Contudo, a unidade ensaiada vinha equipada com o opcional “Pacote Dinâmico e Conforto” (783 euros). Este acrescenta a direcção progressiva - de série no FR - e o controlo adaptativo do chassis. E o efeito no comportamento é bastante evidente.
O controlo adaptativo do chassis, designado pela SEAT como DCC, disponibiliza 14 regulações diferentes. Assim, é possível privilegiar o conforto ou tornar o Leon mais preparado para uma condução exigente e desportiva. A versatilidade é, portanto, uma das suas grandes qualidades: trata-se sempre de um automóvel muito equilibrado e sensato.
Chassis não deixa dúvidas
Na Razão Automóvel, já conduzimos a quarta geração do SEAT Leon em várias versões, mas há um elemento que sobressai consistentemente: o chassis. A plataforma MQB Evo é partilhada com os seus “primos” Volkswagen Golf e Audi A3, embora o novo Leon tenha uma afinação própria, capaz de lhe conferir uma identidade distinta.
É um modelo previsível e muito competente. Oferece níveis de conforto elevados em viagens longas, sem recusar estradas mais desafiantes. Nesses percursos, o peso da direcção revela-se bem calculado e o conjunto motor/caixa mostra uma faceta mais viva.
O que vale, afinal, este 1.5 TSI com 130 cv?
O motor 1.5 TSI a gasolina, de quatro cilindros, debita 130 cv e 200 Nm de binário máximo. Dentro da gama, posiciona-se como uma das alternativas intermédias e, por isso, parece reunir os ingredientes necessários para ser uma das mais equilibradas. Mas estará a virtude realmente a meio?
Combinado com a caixa manual de seis velocidades, este motor permite ao Leon cumprir os 0 aos 100 km/h em 9,4s e atingir 208 km/h de velocidade máxima. Não são números particularmente impressionantes, mas a calibração escolhida pela SEAT resulta num desempenho despachado em estrada, agradável de explorar e que dá a sensação de haver mais potência disponível do que aquela que é anunciada.
Ainda assim, este motor parece ter duas personalidades. Abaixo das 3000 rpm, é suave, pouco ruidoso, mas sem prestações particularmente marcantes. Acima desse regime, a “conversa” muda por completo. Mantém o refinamento, mas passa a revelar uma energia e uma vivacidade diferentes.
Parte da “culpa” cabe à caixa manual de seis velocidades. É precisa e agradável de utilizar, mas as relações são algo longas, favorecendo uma condução abaixo das 3000 rpm e, consequentemente, os consumos. Para retirar mais deste motor - e também deste chassis - é necessário usar a caixa de velocidades mais vezes do que seria de esperar.
E os consumos?
Ao longo de muitos quilómetros realizados em cidade, vias rápidas e autoestrada com este Leon 1.5 TSI Xcellence, chegámos ao momento da entrega à SEAT Portugal com uma média de sete litros por cada 100 quilómetros percorridos.
O resultado fica acima dos 5,7 l/100 km oficiais, em ciclo combinado, indicados pela marca espanhola para esta versão com jantes de 18”. Ainda assim, em autoestrada e estrada aberta, foi possível obter médias inferiores a 6,5 l/100 km sem dificuldade. Foram sobretudo os trajectos urbanos que fizeram subir o valor final.
Mesmo assim, considerando tudo o que o SEAT Leon 1.5 TSI Xcellence com 130 cv oferece, os 7,0 l/100 km registados não representam um problema. Até porque não conduzimos propriamente com o objectivo de baixar consumos. Convém recordar que este motor tem um sistema capaz de desactivar dois dos quatro cilindros quando o acelerador não está em carga.
Imagem arrojada
Com o passar dos meses, torna-se cada vez mais claro que a marca espanhola acertou no desenho da quarta geração do seu compacto. As linhas mais vincadas, o capô mais longo e o para-brisas mais vertical contribuem para uma imagem mais dinâmica. É, contudo, a nova assinatura luminosa - uma solução já apresentada no SEAT Tarraco - que lhe dá um perfil mais marcante e distinto. Um tema que Diogo Teixeira aprofundou no primeiro contacto com o modelo espanhol.
Espaço não falta…
No habitáculo, a plataforma MQB do Grupo Volkswagen garante boas cotas de habitabilidade. Como tem uma distância entre eixos 5 cm superior à dos “primos” Golf e A3, o Leon proporciona mais espaço para as pernas nos lugares traseiros.
Os bancos traseiros revelam-se práticos e bastante confortáveis. O espaço disponível para joelhos, ombros e cabeça supera a média do segmento, colocando também neste ponto o Leon numa posição muito favorável.
A bagageira tem 380 litros de capacidade, valor que pode chegar aos 1301 litros com os bancos traseiros rebatidos. Tanto o Golf como o A3 disponibilizam os mesmos 380 litros de volume de carga.
Tecnologia e qualidade no interior
Os materiais e os acabamentos do habitáculo estão igualmente a um nível muito bom, uma percepção reforçada neste nível Xcellence. Este inclui bancos mais confortáveis, com um revestimento muito acolhedor. Neste aspecto, não há reparos a fazer.
Já a barra tátil destinada ao controlo do volume do sistema de som e da climatização merece críticas. Tal como noutros modelos do Grupo Volkswagen equipados com a nova plataforma electrónica MIB3, trata-se de uma solução visualmente apelativa, pois permite eliminar quase todos os botões físicos. No entanto, podia ser mais intuitiva e precisa, sobretudo durante a noite, uma vez que não é iluminada.
É o carro certo para si?
Todos os nossos ensaios de estrada terminam com esta pergunta, e a resposta, como é habitual, não é totalmente definitiva. Para quem, como eu, percorre muitos quilómetros mensais em autoestrada, poderá fazer sentido considerar as versões Diesel do Leon, como o Leon TDI FR de 150 cv testado recentemente por João Tomé.
Por outro lado, se as suas “obrigações” implicam sobretudo percursos mistos, podemos assegurar que este motor 1.5 TSI de 130 cv, com caixa manual de seis relações, responderá plenamente às necessidades.
O SEAT Leon 1.5 TSI 130 cv Xcellence é um modelo muito interessante de conduzir, em especial quando está equipado com a direcção progressiva e o controlo adaptativo do chassis desta unidade. Mostra-se tão competente em autoestrada, onde privilegia a suavidade e o conforto, como em estrada aberta com curvas mais desafiantes. Neste último cenário, porém, é preciso recorrer bastante à caixa de velocidades para explorar tudo o que este fantástico chassis tem para oferecer.






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