Parabéns! Se está a ler com enorme interesse este - o mais quadrado de todos os testes a dois - então deve ter um verdadeiro talento para a reprodução. Talvez até tenha gémeos, o que explicaria a necessidade de um verdadeiro automóvel de sete lugares.
Mas e se também quiser proteger o futuro do planeta para esses mesmos gémeos? Nesse caso, é provável que esteja a ponderar comprar um elétrico. É aqui, contudo, que surge o problema. Até há pouco tempo, a única opção realmente viável com sete lugares era desembolsar £100.000 por um Tesla Model X, com portas Falcon Wing e sons de flatulência incluídos. Não o censuramos por não ter avançado...
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Imagens:* Jonny Fleetwood*
Vauxhall Combo Life Electric e Mercedes EQB: dois elétricos de sete lugares
Mesmo sete anos depois de o Model X ter finalmente chegado ao mercado, continuam a escassear os verdadeiros elétricos familiares de sete lugares. Os dois automóveis das imagens acima não podiam ser mais distintos, mas ambos têm quatro rodas, um motor elétrico - dois, no caso do Mercedes - e espaço para o condutor e mais seis passageiros. Por isso, fazem parte deste comparativo. Também são ambos muito mais acessíveis do que o Tesla, embora apenas um possa ser considerado barato.
Comecemos pelo Vauxhall. Desde o lançamento era conhecido como Combo-e Life, mas a Vauxhall alterou recentemente a estratégia de nomenclatura e passou a chamar-lhe Combo Life Electric. Simples e direto - perceberá que há aqui um padrão. Por baixo, é o mesmo automóvel derivado de um furgão que o Citroën e-Berlingo e o Peugeot e-Rifter; os três pertencem ao grupo Stellantis e, no Reino Unido, os três são agora vendidos exclusivamente como elétricos.
No Combo, um único motor elétrico aciona as rodas dianteiras e debita 134 bhp e uns saudáveis 192 lb ft de binário. A bateria de 50 kWh está instalada sob o piso e aceita carregamentos até 100 kW. Na prática, isto permite repor de 0 a 80 por cento da carga em 30 minutos.
Naturalmente, o Combo está disponível com cinco lugares, mas porquê escolhê-lo assim, quando já se está a abdicar de estilo em nome da funcionalidade? A configuração de sete lugares custa mais £600; pelo mesmo valor, pode optar pela versão XL, mais alta e com maior distância entre eixos. Esta última mantém algum espaço de bagageira mesmo com os sete bancos ocupados, mas o exemplar aqui presente é o mais curto.
E depois temos o Mercedes EQB. Já terá reparado que é um SUV e que talvez seja um pouco mais atento ao estilo do que o Vauxhall. Gostamos do capot saliente, das cavas das rodas quadradas e da pequena inflexão nas janelas laterais. As barras luminosas dianteira e traseira completam o visual futurista.
O EQB é obrigatoriamente um sete lugares. Se só precisar de cinco bancos, pode escolher os seus irmãos EQA ou EQC. Ainda assim, há uma semelhança essencial entre as propostas da Mercedes e da Vauxhall para um familiar elétrico: ambas assentam em plataformas concebidas originalmente para automóveis com motor de combustão e adaptadas para receber grupos motopropulsores de zero emissões.
Como já foi referido, o EQB recorre a dois motores elétricos para mover as quatro rodas: 225 bhp no EQB 300 testado aqui, ou 288 bhp no EQB 350 de topo. É também o Mercedes que ganha a disputa da autonomia: os 250 miles proporcionados pela bateria maior, de 66,5 kWh, superam os 174 do Vauxhall. Importa, porém, notar que o Mercedes partilha o mesmo limite máximo de carregamento de 100 kW.
Condução e autonomia dos elétricos familiares
O Combo está bem afinado para a vida familiar e não tenta, erradamente, passar por desportivo. A direção é extremamente leve e transmite pouca informação, o pedal do travão é suave e o enorme perfil dos pneus, montados em jantes de 16 polegadas, contribui para um conforto razoável. Ainda assim, abana um pouco nas irregularidades mais agressivas. Há algo de “o meu primeiro elétrico” na forma como o Combo Electric cumpre a sua missão. Não existe uma aceleração absurda que o assuste na primeira vez que carregar a fundo no acelerador, e a velocidade máxima está limitada a 84 mph, para não destruir a autonomia cuidadosamente preservada assim que entra numa autoestrada. Existem modos de condução - Potência, Normal e Eco -, mas o valor WLTP foi homologado no modo Normal; assim, provavelmente deixará o automóvel nesse programa e evitará o modo Eco, que reduz o binário. Há ainda um modo Travão no seletor central, mas a regeneração não é tão intensa que as crianças fiquem enjoadas sempre que levanta o pé do acelerador.
Já o EQB ganha velocidade a um ritmo notável. A Mercedes anuncia 0–62 mph em 7,7 s, e a progressão é sem esforço graças aos 273 lb ft de binário disponíveis de imediato. É pena que não transmita a mesma confiança ao curvar ou ao travar. Ainda assim, é um automóvel inteligente: além da regeneração controlada pelas patilhas, dispõe de um modo automático que utiliza radar para perceber se precisa de uma regeneração forte ou de deixar o carro rolar quando tira o pé do acelerador. Aprenda a confiar nele e terá uma experiência de condução melhor do que se selecionar o modo Sport no EQB. Esse programa endurece a suspensão e torna a direção mais pesada, mas será isso desejável num automóvel familiar? A potência extra também incentiva uma condução menos eficiente: no nosso teste, o Mercedes registou 3,0 mpkWh e o Combo 3,4.
Tecnologia, espaço e preços
No nível de equipamento AMG Line Premium de topo - que implica um, hum, prémio de £3.000 face ao AMG Line normal -, o EQB vem recheado de tecnologia. Para lá da regeneração comandada por radar, há dois ecrãs de 10 polegadas que formam o painel digital, e o sistema de navegação pode definir a melhor rota incluindo paragens para carregamento. O sistema de som com 10 altifalantes também é de série, tal como o teto panorâmico, os faróis LED e o carregamento sem fios para telemóveis com conectividade completa.
São boas notícias para famílias obcecadas por tecnologia, mas o Vauxhall custa menos £20.000 e o seu habitáculo aposta no espaço. Enquanto a Mercedes considera que apenas pessoas com menos de 5 ft 4 in podem utilizar os bancos traseiros, o Combo oferece muita luminosidade e espaço para a cabeça, e até os lugares mais recuados são verdadeiras cadeiras. Com as filas traseiras rebatidas, o Mercedes disponibiliza 495 litros de bagageira e o Vauxhall 597, medidos até à chapeleira; porém, os bancos traseiros do Combo podem ser totalmente removidos. Com sete pessoas a bordo, ambos têm, na realidade, espaço de carga apenas para os cabos de carregamento. Para tornar o Combo ainda mais prático, assinale a opção de £300 que transforma a segunda fila em bancos individuais. Se viajar sozinho, pode rebater todos os bancos, incluindo o do passageiro dianteiro, criando uma área de carga de 2,7 m até na versão normal.
Ao configurar um Combo, não há muitas outras opções. O único nível de equipamento é o SE, que já inclui de série o ecrã tátil de 8 polegadas. Por mais £460, recebe o sistema de navegação, mas quem utiliza Apple CarPlay ou Android Auto pode facilmente poupar esse dinheiro.
A diferença de preço torna quase impossível escolher um vencedor, embora, fora do contexto deste teste, atribuíssemos classificações semelhantes ao EQB e ao Combo. O Mercedes é o elétrico de sete lugares para quem procura mais velocidade, autonomia e tecnologia, mas isto é a TopGear. Por isso, gostávamos de recomendar o Vauxhall prático e extremamente meritório... e, depois, um Lotus Elise de segunda geração em segunda mão para os dias em que as crianças podem ficar em casa.






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