Saltar para o conteúdo
Notícias

Kia EV2: o elétrico compacto que surpreende pela eficiência

Carro elétrico branco KIA EV2 exposto numa sala moderna com carregadores elétricos visíveis ao fundo.
Neste artigo
  1. Design do Kia EV2: gostos não se discutem
  2. Espaço e versatilidade acima da média
  3. Eficiência é a prioridade do Kia EV2
  4. Confortável, mas com margem para melhoria
  5. Eis a questão: o preço justifica-se?
  6. Especificações técnicas

O Kia EV2 pode não ser o elétrico mais económico do segmento, mas são poucos os que retiram tanto partido de uma bateria de capacidade tão reduzida.


Desde o lançamento, o Kia EV3 tem sido alvo de muitos elogios e afirma-se como uma das opções elétricas mais apelativas do respetivo segmento. Já o definimos como “perfeito em tudo, menos numa coisa”, o preço.

Com o EV2, a marca sul-coreana aplicou a mesma fórmula a um formato mais pequeno e mais acessível. Afinal, cabe-lhe a missão de ser o automóvel elétrico mais barato da Kia à venda na Europa. Isso não reduz as suas ambições: o objetivo é tornar-se uma referência no competitivo segmento B-SUV.

Para o conseguir, apoia-se em dois argumentos que considero particularmente importantes: a eficiência energética e a autonomia. E, ao que parece, não sou o único elemento da Razão Automóvel a pensar assim:

Design do Kia EV2: gostos não se discutem

Concebido especificamente para a Europa, o Kia EV2 merece reconhecimento pela ousadia de apresentar uma identidade visual vincada, sobretudo considerando o exigente gosto dos clientes europeus.

Ainda assim, não será consensual. A carroçaria segue a linguagem de design já vista noutros modelos da marca, marcada por linhas definidas, volumes expressivos e uma imagem visual forte.

A frente vertical, as proteções plásticas nos para-choques e nas cavas das rodas, bem como a assinatura luminosa colocada nos extremos, transmitem uma perceção de largura e solidez inspirada no universo SUV. Contudo, este modelo não pretende aventurar-se fora do asfalto.

A unidade testada tinha ainda jantes de 18″, exclusivas da versão Drive. Para além de tornarem a sua presença mais apelativa, não me pareceram prejudicar o conforto.

Espaço e versatilidade acima da média

Embora seja 24 centímetros mais curto do que o EV3, o EV2 impressiona pela habitabilidade. A plataforma E-GMP, criada especificamente para veículos elétricos, explica grande parte deste resultado: permite colocar as rodas muito perto das extremidades da carroçaria e, assim, disponibilizar mais espaço aos ocupantes.

O espaço disponível para passageiros mantém-se como um dos seus principais atributos. Mesmo o «mal-afortunado» que seguir no lugar central terá poucos motivos para reclamar, beneficiando da inexistência de um túnel central.

Na dianteira, também há pouco a criticar. À semelhança dos mais recentes modelos do construtor sul-coreano, o tabliê reúne três ecrãs: dois de 12,3″ nas extremidades, destinados à instrumentação e ao sistema de infoentretenimento, e um de 5,3″ ao centro, dedicado à climatização.

Este último não está instalado na posição mais feliz, pois fica parcialmente oculto pelo aro do volante. A Kia atenuou, felizmente, essa escolha com comandos físicos para as funções principais da climatização, uma alternativa que continua a ser mais intuitiva em andamento.

Eficiência é a prioridade do Kia EV2

Se houve uma característica que realmente me surpreendeu no EV2, foi a eficiência. A variante ensaiada recorre a um motor elétrico dianteiro de 108 kW (147 cv) e 250 Nm de binário, alimentado pela bateria mais pequena da gama, com 42,2 kWh.

Esta combinação anuncia até 317 km de autonomia oficial em ciclo combinado WLTP. Contudo, os quatro dias passados ao volante do EV2 sugeriram-me que esse número é bastante prudente. Basta confrontar os 15,1 kWh/100 km homologados com os 11,5 kWh/100 km que obtive. Na utilização real, uma autonomia perto dos 380 km parece, por isso, inteiramente plausível.

Naturalmente, o resultado variará sempre em função da utilização. Com mais quilómetros de autoestrada, deverá descer de forma significativa; com maior predominância de cidade, tenderá a aumentar. É o que acontece com todos os elétricos.

O sistema de recuperação de energia teve também um papel relevante no bom resultado alcançado. As patilhas atrás do volante permitem regular a força da desaceleração regenerativa ou escolher o modo i-PEDAL, capaz de parar o EV2 e de nos fazer praticamente esquecer o pedal do travão.

Para quem conduz maioritariamente em cidade e em trajetos mistos, a bateria de 42,2 kWh é mais do que adequada. Caso os 317 km de autonomia sejam insuficientes, a versão com bateria de 61 kWh anuncia uns mais «desafogados» 450 km entre carregamentos, colocando o EV2 entre os «reis da autonomia» do segmento.

Confortável, mas com margem para melhoria

Em estrada, mostra-se confortável, previsível e muito simples de conduzir. A direção leve, os comandos fáceis de compreender e o restante conjunto favorecem uma utilização descontraída.

Os 147 cv e os 250 Nm de binário asseguram prestações perfeitamente suficientes para o quotidiano, ainda que não pretendam impressionar em aceleração. Não têm de o fazer.

Em pisos mais degradados, ou perante uma sequência de lombas e juntas de dilatação, a suspensão evidencia movimentos verticais mais acentuados do que seria ideal. Apesar disso, nem a estabilidade nem a confiança transmitida ao condutor ficam comprometidas.

Eis a questão: o preço justifica-se?

À semelhança do EV3, o maior obstáculo do EV2 está precisamente no preço. Apesar de ser o elétrico mais acessível da Kia, continua entre as alternativas mais caras do segmento, com valores desde 32 250 euros.

Por sua vez, a unidade testada, com o nível Drive - o mais elevado - e bateria de 42,2 kWh, custava 35 500 euros. A pintura Morning Haze acrescentava 500 euros a esse valor. Já a versão equipada com a bateria maior exige cerca de 38 mil euros.

Não há como contornar a questão: trata-se de um preço difícil de justificar, em particular num dos segmentos mais disputados da atualidade. Entre os rivais estão o Renault 4 E-Tech, desde 29 740 euros, o BYD Atto 2, desde 31 497 euros, e, em breve, os novos Skoda Epiq e Volkswagen ID. Cross, cujas versões de acesso deverão começar em torno dos 28 mil euros.

Ainda assim, ao considerar a qualidade de construção, o equipamento de série e, acima de tudo, a eficiência, torna-se claro que o EV2 reúne vários argumentos a seu favor. Sem esquecer a imagem, provavelmente o seu maior elemento diferenciador, num elétrico que oferece mais do que esperava encontrar.

Especificações técnicas

Neste momento

Inês Margarida Carvalho

Inês Margarida Carvalho é especialista em mobilidade e planeamento de percursos, dedicada à análise e otimização de itinerários no contexto da rota x. Investiga dados de tráfego, segurança e acessibilidade para criar recomendações práticas, com interesse particular em sustentabilidade, experiência do utilizador e integração com soluções digitais de navegação.

Comentários

Ainda não há comentários. Seja o primeiro!

Deixar um comentário