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Timothy Dalton e o Aston Martin V8 de James Bond

Três carros clássicos a circular numa estrada rodeada por árvores com folhas castanhas.

“James Bond é um instrumento contundente manejado por um departamento governamental”, observou o seu criador, Ian Fleming. “É reservado, duro, implacável, sarcástico e fatalista. Gosta de jogo, golfe e automóveis rápidos.”

Estas coordenadas da personagem criadas por Fleming foram respeitadas - e interpretadas com generosidade - nos 24 filmes em que o mais famoso espião ficcional do mundo surgiu ao longo dos últimos 58 anos.

Agora, Bond 25 está prestes a chegar. 007: Sem Tempo Para Morrer estreia esta semana nas salas de cinema e permite a Daniel Craig exibir toda a sua capacidade dramática na despedida do papel de 007, submetendo-o a um intenso turbilhão emocional. Ao mesmo tempo, a equipa de duplos e os designers de produção voltam a reinventar a própria essência de uma perseguição automóvel. Ao que parece, 007: Sem Tempo Para Morrer inclui a mais brutal de sempre num filme de Bond. E isso levou-nos a pensar: seis actores interpretaram o 007 no grande ecrã, e todos tiveram parceiros de cena automóveis cuidadosamente escolhidos.

Para muitos de nós, aliás, ver um filme de Bond na televisão numa idade marcante foi uma das razões que nos fez ficar obcecados por carros. A gigantesca comunidade mundial de fãs do 007 debate incessantemente quem foi o melhor Bond, mas qual deles teve o automóvel mais espectacular? Escolhendo um por actor, a Top Gear reuniu os veículos essenciais no mesmo ponto do continuum espaço-tempo para explorar as suas histórias e submetê-los a um teste quase científico, embora sobretudo subjectivo. Avance Timothy Dalton, acompanhado do encantador Aston V8...


  • Fotografia: Mark Riccioni e John Wycherley

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Timothy Dalton e o Aston Martin V8 de James Bond

Bond teve de se tornar mais consciente nos anos 80, já que o sexismo casual e o humor de insinuações que caracterizavam a fase final de Roger Moore se tinham tornado intoleráveis. Timothy Dalton, o novo actor no papel de Bond, trouxe uma seriedade de maxilar vincado à personagem. “Antes de mais, queria torná-lo humano. [Bond] não é um super-homem - não nos conseguimos identificar com um super-homem. Queria captar aquela vulnerabilidade ocasional. E queria captar o espírito de Ian Fleming.”

O Aston Martin V8 - um modelo da série cinco, então equipado pela primeira vez com injecção de combustível para atingir 310 bhp - que conduz no filme liga esta 15.ª aventura de Bond ao DB5 que apareceu na terceira, ao mesmo tempo que transmite uma gravidade à altura da visão de Dalton para o 007. Ainda assim, o V8 de 007: Alta Tensão - inequivocamente não é um Vantage, apesar de ser muitas vezes identificado como tal - continua a contar com lasers nos cubos das rodas, estabilizadores retrácteis, um motor a jacto escondido atrás da matrícula traseira e um modo de autodestruição. Quando Bond e Kara, interpretada por Maryam d’Abo, o abandonam, fogem na caixa do violoncelo dela, uma ideia que o realizador John Glen testou com um Cubby Broccoli céptico na Filarmónica de Los Angeles.

Na verdade, o V8 já era um pouco um dinossauro em 1987

Na realidade, o V8 já era um pouco um dinossauro em 1987: uma evolução interminável do DBS do final dos anos 60, numa altura em que o mais recente salvador da Aston, o carismático empresário e aviador Victor Gauntlett, trabalhava arduamente para manter a empresa em funcionamento. Gauntlett emprestou à produção o seu V8 Volante pessoal, que mais tarde vemos ser preparado para o inverno pela equipa de Q. Porém, não é assim tão simples transformar um descapotável num coupé, pelo que a produção encontrou outros três automóveis e construiu sete réplicas. “A menos que se disponha de uma quantidade ilimitada de veículos para cenas de acção, o que raramente acontece, estes têm de ser estimados e tratados com cuidado, pois sofrem abusos constantes”, recordou o supervisor de efeitos especiais John Richardson.

O Aston Martin V8 em 007: Sem Tempo Para Morrer

Poucos automóveis, se é que algum, alcançam o auge da elegância no final da sua vida útil, mas o Aston V8 consegue-o. Sim, pelos padrões actuais parece antiquado, tem uma disposição pouco eficiente e comandos espalhados pelo habitáculo aparentemente ao acaso. O seu desempenho e comportamento são tão descontraídos e preguiçosos que um Fiesta ST o deixaria para trás com facilidade. Ainda assim, percebe-se por que motivo Cary Fukunaga, realizador do novo filme de Bond, quis incluí-lo em 007: Sem Tempo Para Morrer. A interpretação de Daniel Craig privilegiou inicialmente os aspectos mais contundentes da personagem, mas tornou-se mais matizada à medida que se prepara para abdicar do seu estatuto 00. De algum modo, o V8 adequa-se a isso.

Dispositivos: 8/10
Velocidade: 6/10
Poder de atracção: 7/10
Derrapagens: 6/10
Acrobacias: 7/10
Estatuto de estrela: 7/10
Total: 41

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Inês Margarida Carvalho

Inês Margarida Carvalho é especialista em mobilidade e planeamento de percursos, dedicada à análise e otimização de itinerários no contexto da rota x. Investiga dados de tráfego, segurança e acessibilidade para criar recomendações práticas, com interesse particular em sustentabilidade, experiência do utilizador e integração com soluções digitais de navegação.

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