“James Bond é um instrumento contundente nas mãos de um departamento governamental”, observou o seu criador, Ian Fleming. “É calado, duro, implacável, sarcástico e fatalista. Gosta de jogo, golfe e carros rápidos.”
As coordenadas da personagem definidas por Fleming foram fielmente respeitadas - e interpretadas com considerável liberdade - nos 24 filmes em que o espião fictício mais famoso do mundo surgiu ao longo dos últimos 58 anos.
Agora, Bond 25 está prestes a chegar. 007 - Sem Tempo para Morrer estreia nos cinemas esta semana e permite a Daniel Craig demonstrar toda a sua amplitude dramática na despedida do papel de 007, submetendo-o a uma intensa prova emocional. Ao mesmo tempo, a equipa de duplos e os designers de produção voltam a reinventar a própria ideia de uma perseguição automóvel. Ao que parece, 007 - Sem Tempo para Morrer inclui a mais brutal de sempre num filme de Bond. E isso fez-nos pensar. Seis actores interpretaram o 007 no grande ecrã, todos eles com co-protagonistas automóveis cuidadosamente escolhidos.
Aliás, para muitos de nós, ver um filme de Bond na televisão numa idade marcante foi uma das razões que nos levou a ficar obcecados por carros. A gigantesca comunidade mundial de fãs de 007 discute incessantemente qual foi o melhor Bond, mas qual deles teve o carro mais espectacular? Ao escolher um veículo por actor, a Top Gear reuniu os modelos fundamentais na mesma zona do contínuo espaço-tempo para explorar a sua história e realizar um teste quase científico, embora sobretudo subjectivo. Está na altura de revisitar o fabuloso Lotus Esprit de Moore...
- Fotografia: Mark Riccioni e John Wycherley
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Roger Moore e o Lotus Esprit
Os filmes de Bond espelham épocas: não apenas as mudanças geopolíticas que decorriam durante a produção, mas também a fase da vida que serviu de cenário à primeira vez que viu 007. Se foi criança nos anos 70, Roger Moore é o seu Bond e o Lotus Esprit é o seu carro. Elon Musk é um fã tão dedicado que pagou quase 1 milhão de dólares por um dos carros-propósito num leilão, em 2013. Questionado numa reunião de accionistas da Tesla, em 2019, sobre a possibilidade de criar um carro aquático, respondeu: “Curioso mencionar isso... temos um projecto para um carro-submarino como o de O Espião Que Me Amava...”
Sinceramente, o que há para não adorar? Giorgetto Giugiaro desenhou-o, Colin Chapman projectou a engenharia e James Bond transformou-o num submersível. Tal como milhões de nós tiveram o Corgi DB5 e desperdiçaram incontáveis horas à procura da minúscula figura ejectada, quantos mísseis do PPW 306R terão sido aspirados por aspiradores em todo o mundo? O Esprit só entrou em O Espião Que Me Amava graças à audácia de Don McLauchlan, responsável de relações públicas da Lotus. Em 1976, estacionou um protótipo sem emblemas diante do escritório de produção de Bond, nos Pinewood Studios, seguro de que despertaria o interesse da equipa. Resultou: pouco depois, o acordo foi fechado com um aperto de mão.
Conduzir hoje um Esprit S1 não aquático é uma revelação
A empresa disponibilizou dois carros, sete carroçarias, várias peças sobresselentes e os serviços do piloto de testes Roger Becker. McLauchlan calculou que o custo total rondava as 17 500 libras - cerca de 105 000 libras ao valor actual, uma pechincha. A Perry Oceanographics, sediada na Florida, foi contratada para criar o Esprit subaquático, baptizado Wet Nellie. Usava quatro hélices para avançar e era alimentado por baterias alojadas num compartimento estanque. A descida e a subida eram comandadas por tanques de lastro, enquanto o perfil em cunha do Lotus era estabilizado por aletas articuladas. No interior encontrava-se todo o equipamento necessário para o operador do submarino - um antigo Navy SEAL chamado Don Griffin - controlar o veículo. Deitado numa plataforma, desempenhava a função com equipamento completo de mergulho.
Ao volante do Lotus Esprit S1
Conduzir hoje um Esprit S1 não aquático é uma revelação. Chapman pode ter levado ao extremo a sua filosofia de “simplificar e acrescentar leveza”, mas, mesmo com apenas um motor de quatro cilindros, 2,0 litros e 160 cv atrás da cabeça, este é uma lição magistral de baixo momento polar e dinâmica ultra-responsiva. A direcção e a suspensão são sublimes, e a facilidade com que muda de trajectória é hipnotizante. Além disso, anda realmente bem, emitindo uma sonoridade mais cheia do que a de qualquer outro quatro cilindros que me ocorra neste momento. Há quem se queixe dos puxadores de porta do Morris Marina e dos desalinhamentos duvidosos dos painéis, mas, depois de instalado no habitáculo, os grafismos absolutamente anos 70 e a cobertura curva dos instrumentos são por si só um espectáculo. Que carro tão inspirador e visionário.
Gadgets: 10/10
Velocidade: 7/10
Poder de atracção: 7/10
Derrapagens: 8/10
Acrobacias: 8/10
Estatuto de estrela: 8/10
Total: 48
Ao longo desta semana, acompanhe a TopGear.com para Dalton, Brosnan e Craig; clique aqui para o DB5 de Connery e aqui para o DBS de Lazenby.





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